quarta-feira, 1 de abril de 2015


A notícia é recorrente. Quase todas as novelas da Globo estreiam com menos pontos no Ibope do que suas antecessoras. No dia seguinte, os sites e colunas especializados fazem um escarcéu: "pior resultado da história", "primeira fase será encurtada", "já estão prevendo mudanças".
O tom das manchetes costuma piorar nos dias seguintes, porque a audiência também costuma cair. E começa a busca por culpados: "o público rejeitou a trama", "há personagens demais", "o autor está velho".
Tudo isso é verdade. Mas não existe um único responsável pela largada fraca desta ou daquela novela. O que estamos assistindo, na verdade, é ao fim do domínio absoluto que este gênero exerceu sobre a TV brasileira durante mais de 50 anos.
Vejamos o caso de "Babilônia". Não há nada de profundamente errado com a nova trama de Gilberto Braga, Ricardo Linhares e João Ximenes Braga. A novela precisa de alguns ajustes, é verdade —como bem apontou meu colega Thiago Stivaletti. E a Globo já começou a executá-los, alterando até mesmo o logotipo do programa.
E no entanto, "Babilônia" ainda patina na audiência. Os evangélicos estão cantando vitória, querendo crer que está funcionando o boicote que pregaram contra a novela. Mas os problemas vão muito além de um simples beijo entre duas senhoras que se amam.

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